[Coluna Família TEA] ABA no contexto atual: um olhar mais humano e multidisciplinar

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Meu nome é Ana Vitória, e gostaria de agradecer ao grupo Família TEA Bauru pelo convite para escrever hoje sobre um tema tão atual. Sou fonoaudióloga formada pela USP/Bauru em 2012, especialista em TEA desde 2016, especialista em ABA desde 2018 e atuo na área há 12 anos.

Quando falamos em ABA (Análise do Comportamento Aplicada), é comum que muitas pessoas pensem em quadros, reforços e repetições. Mas a ABA vai muito além disso. Ela é, na verdade, uma ciência que estuda o comportamento humano e busca promover qualidade de vida, autonomia e inclusão. E no contexto atual, essa abordagem tem se transformado, ganhando novos olhares — mais humanos, mais respeitosos e, principalmente, mais integrados.

Hoje sabemos que o trabalho com pessoas autistas precisa ser individualizado, ético e colaborativo. Não existe uma “receita pronta”. Cada criança tem seu jeito, seu tempo, suas necessidades e potencialidades. E é justamente por isso que a multidisciplinaridade dentro da ABA se tornou essencial.

Fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, educadores físicos, profissionais da musicalização, nutricionistas, médicos… Cada um tem uma lente, uma forma de olhar para a criança. E quando essas lentes se unem em torno de um objetivo comum — promover desenvolvimento e bem-estar — o cuidado se torna mais completo e respeitoso.

Estudos recentes apontam que intervenções baseadas em ABA que contam com equipes multidisciplinares apresentam resultados mais significativos na comunicação funcional, na redução de comportamentos desafiadores e no aumento da participação social da criança. Uma revisão publicada em 2023 no Journal of Autism and Developmental Disorders destacou que programas que envolvem múltiplos profissionais alcançam até 40% mais avanços em habilidades adaptativas em comparação com intervenções uniprofissionais. Esses dados reforçam o que já percebemos na prática: quando há união de saberes, há mais progresso e mais humanidade no processo.

As atualizações na área também caminham nessa direção: hoje falamos muito mais em escuta ativa, participação da família, intervenção naturalística, motivação intrínseca e construção conjunta de metas. Isso significa olhar para a criança como um ser inteiro, não apenas como um conjunto de comportamentos a serem moldados.

ABA, quando bem aplicada, não é sobre controlar — é sobre compreender. E quando é feita em equipe, com ética, ciência e sensibilidade, ela se torna uma grande aliada na jornada de tantas famílias.

Por hoje é isso, pessoal! Muito obrigada pela sua atenção, e espero poder retornar em breve aqui para escrever sobre temas tão interessantes como este.

Convido vocês a seguirem a página do Família TEA Bauru (@familiateabauru) e da Clínica Accanto (@clinicaaccanto), onde atuo profissionalmente.

Até mais!

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